Apresentação

Esse documento faz parte das ações do Projeto Pecuária Floresta e tem como objetivo organizar o planejamento das intervenções a serem feitas em meio as pastagens já formadas e manejadas pela família da São José do Alto da Cruz. Ações essas que acontecerão no período das águas de 2025/2026, visto que os próximos anos de intervenção serão novamente avaliados e recomendados.

Após alguns diálogos e visitas de campo junto da família, foram elencadas 4 áreas para essa ação, além de 29 ilhas que também serão manejadas para formação de árvores em meio a pastagem. Ao longo desse documento será apresentado o objetivo de cada área e organizado a quantidade de mudas, estacas, sementes e outros insumos para cada um dos locais com recomendações técnicas.

Recomendações gerais

Formigas

No entorno e na linha silvopastoril nos berços das fomigas cortadeiras "quens quens" será movimentado o ninho e aplicado calcário, para formigas atas, formicida a base de fipronil nos carreiros. Necessário monitoramento e controle 15 dias antes dos plantio e em todas as visitas de manejo e acompanhamento das áreas.

Insumos e sementes

  1. A correção de solo e a adubação será em área total e em superfície, visando melhorar a qualidade de todo o solo da linha silvopastoril com 100g de Bokashi e 100g de calcário dolomítico. Não será feito preparo de solo, e sim intervenções em berços e coroas.
  2. Sementes pequenas, corretivos e a adubação do solo, sempre que possível, deve acontecer antes de roçar a área, para que esses tenham contato com solo.
  3. Sementes maiores devem ser semeados em coroas, para que possam germinar e crescer antes de voltar a vegetação espontânea.
  4. A palha deve ser disposta em toda a área, priorizando os locais com coroas.
  5. A coroa das árvores devem ter 50 cm e os berços sempre que possível 30 cm tanto de profundidade como de largura.
  6. Estacas platadas de pé, como de amora, hibisco ou margaridão, devem ser plantadas com uso da cavadeira, sempre que possível com 30 cm de profundidade.

Manejo da biomassa

Se buscará roçar a área no ponto ótimo de repouso das herbáceas, indicadas pelo aparecimento das flores quando leguminosas e pelo amarelecimento das folhas basais no caso das gramíneas.

A vegetação arbustiva, sempre que os animais entrarem nos piquetes, devemos tomar a decisão se cortamos e oferecermos nos piquetes para os animais, permitir o ramoneio direto ou evitar o consumo pelos bovinos.


Área 1

Em 2023 se fez preparo do solo convencional para formação da pastagem com capim Kurumi, resultando em uma área com capim Kurumi, Braquiárinha e solo exposto. Nessa área se faz controle de ervas espontâneas, adubação e calagem com insumos externos e controle do pastoreio em manejo com piquetes desde 2020.

Recentemente foi colocado um bebedouro nesse piquete, não tem a presença de árvores dentro do piquete, apenas do entorno e não se tem análise química desse solo. Uma área plana e suave ondulada com proximidade com a mata, que não alaga e que tem presença de formiga.

As aves encontradas (Passaro-preto/ anu-preto/ tico-tico/ rolinha-roxa/ canario-da-terra/ alma-de-gato) são espécies de área abertas, geralmente avistadas e poucos preocupantes no estado de conservação, conforme o wikiaves.

Objetivo

Formar duas linhas de árvores forrageiras na divisa dos piquetes, para servir de alimento aos bovinos com 2,5 metros de largura.

A linha estará posicionada na direção leste/oeste, assim no verão as árvores fazem sombra uma para a outra. No inverno, "o sol pende ao norte", e a linha vai gerar sombra na lateral do piquete.

Desenho da área 1

Recomendação

Não será necessário aplicar técnicas de conservação de solo, pois se trata de áreas com declividade baixa, mas é possível pensar em intervenção na área de pastagem ao longo do processo de ATER.

O período de "verão de 2025/2026" foi dividido em início = início das chuvas, meses de outubro, novembro e dezembro; meio = meio das chuvas, meses de janeiro, fevereiro e março e fim das chuvas, meses de abril e maio.

Área 1 ( 172 m² - 69 metros de comprimento)QuantidadeQuando
Arbustos a cada 2 metros
- Amora35Início
- Hibiscos35Início
Árvores e Palmeira a cada 5 metros
- Ipê amarelo3Meio
- Ingá3Meio
- Jerivá4Meio
- Bracatinga4Meio
- Jatobá3Meio
- Banana17Meio
Adubos verdes [^1]
- Mandioca34 ramasInício
- Feijão Guandu1200gInício
- Nabo forrageiro230gFim
- Aveia preta860gFim
- Estilosante campo grande100gInício
- Bokashi18kgInício
- Calcário dolomítico18kgInício

Áreas 2, 3, 4, 5 e 6

A pastagem foi formada há muitos anos com duas espécies predominantes, braquiárinha e braquiarão, mas foi em 2019 que se iniciou novo manejo, inicialmente com piquetes e mais recentemente com a colocação dos bebedouros e saleiros em todos os piquetes da pastagem.

Nessa área se faz controle de ervas espontâneas, adubação e calagem com insumos externos e controle do pastoreio em manejo com piquetes e bebedouros. Como está com poucos animais, a pastagem se encontra "passada". Existe a presença de árvores dentro do piquete, sendo evidente a presença de Ipê Amarelo vindo de forma espontânea e algumas espécies já grandes de Eucalipto, Tamboril e Angico.

A declividade dos piquetes variam, sendo plano os piquetes que dividem a estrada, os piquetes do meio com relevo suave ondulado e o último piquete que faz divisa com a mata, com declividade mais acentuada. Em função dessa declividade os piquetes foram organizados em nível. Essa pastagem não alaga, se tem presença de formiga e não se tem análise química desse solo. As aves encontradas (Rolinha-roxa/ passaro-preto/ tico-tico/ canario-da-terra/ anu-preto) são espécies de área abertas, geralmente avistadas e poucos preocupantes no estado de conservação, conforme o wikiaves.

Objetivo

Formar aproximadamente 20% da área dos piquetes com banco de proteína para ramoneio direto pelo animais, aumentando a produção de biomassa para consumo dos bovinos em manejo intermitente. Essas áreas também servirão de quebra vento, pois ficam na divisa de todos os piquetes. As áreas 2,3 e 4 são mais planas e as áreas 5 e 6 são declivosas, sendo oportuna presença da vegetação arbustiva no controle de erosão.

Tamanho das áreas

Área 2 = 1100 m², largura de 26 metros

Área 3 = 1017 m², largura de 32 metros

Área 4 = 721 m², largura de 21 metros

Área 5 = 847 m², comprimento de 84 metros

Área 6 = 1107 m², comprimento de 70 metros

Desenho

Obs: no desenho esta previsto arvores e arbusto na lateral do piquete, acompanhando a curva de nivel, cuja ação deve ser melhor pensada no ano 2.

Recomendação

O período de "verão de 2025/2026" foi dividido em início = início das chuvas, meses de outubro, novembro e dezembro; meio = meio das chuvas, meses de janeiro, fevereiro e março e fim das chuvas, meses de abril e maio.

Área 2,3,4 (2837 m² - espaçamento 2x2m)QuantidadeQuando
Arbustos a cada 2 metros
- Amora130Início
- Leucena130Início
- Pau Ferro102Início
- Banana102Médio
- Mutambo102Médio
- Margaridão102Início
- Hibiscu56Início
Adubos verdes [^1]
- Feijão Guandu17 kgInício
- Mombaça5 kgInício
- Estilosante campo grande1,5 kgInício
- Bokashi290 kgInício
- Calcário dolomítico290 kgInício
- Nabo forrageiro3,5kgFim
Área 5,6 (1954 m² - espaçamento 2x2m)QuantidadeQuando
Arbustos a cada 2 metros
- Amora150Início
- Pau Ferro100Início
- Mutambo100Médio
- Margaridão100Início
- Hibiscu50Início
Adubos verdes
- Feijão Guandu12 kgInício
- Mombaça3 kgInício
- Estilosante campo grande1 kgInício
- Bokashi200kgInício
- Calcário dolomítico200kgInício
- Nabo forrageiro2,5kgFim

Área 7

A pastagem foi formada há muitos anos com duas espécies predominantes, braquiárinha e braquiarão, mas foi em 2019 que se iniciou novo manejo em piquetes sendo esses piquetes proximos a sala de manejo e a capineira. Nessa área ja se teve plantio de laranja em manejo convencional.

Para manejo da pastagem, atualmente se faz controle de ervas espontâneas, adubação e calagem com insumos externos e controle do pastoreio em manejo com piquetes e bebedouros. Como está com poucos animais, a pastagem se encontra "passada". Na parte baixa se tem a presença de braquiária do brejo, na parte alta capim elefante, pois se trata da capineira, e a pastagem que mais predomina é a braquiárinha.

A declividade é alta e por isso se fez curva de nível com enchadão em seu meio, onde será formada a linha silvopastoril. Se buscará formar dois piquetes, uma para cima da linha a outro para baixo. Essa pastagem não alaga, se tem presença de formiga e não se tem análise química desse solo.

Objetivo

Formar uma linha silvopastoril em meio aos piquetes em curva de nível, servindo como abrigo e alimento para os bovinos com 2,5 m de largura.

Desenho

Recomendação

O período de "verão de 2025/2026" foi dividido em início = início das chuvas, meses de outubro, novembro e dezembro; meio = meio das chuvas, meses de janeiro, fevereiro e março e fim das chuvas, meses de abril e maio.

Área 7 (160m² - 64m de comprimento)QuantidadeQuando
Arbustos a cada 1,5m
- Amora21Início
- Margaridão21Fim
Árvores a cada 9m
- Ingá2Fim
- Pata de vaca2Fim
- Mutambu2Fim
- Pau Ferro2Início
Palmeira a cada 9m
- Jerivá7Fim
Adubos verdes
- Feijão Guandu1200 gInício
- Nabo forrageiro200 gFim
- Aveia preta800 gFim
- Estilosante campo grande100 gInício
- Bokashi16 kgInício
- Calcário dolomítico16 kgInício

Bosques silvopastoris

A pastagem foi formada em 2005, mas foi em 2019 que se iniciou novo manejo com piquetes

Para manejo da pastagem, atualmente se faz controle de ervas espontâneas, adubação e calagem com insumos externos e internos e controle do pastoreio em manejo com piquetes e bebedouros. Como está com poucos animais, a pastagem se encontra "passada".

A declividade é alta e por isso havia sido feito dois piquetes em nivel, no entanto no momento se tem um pasto só, ficando de avaliar possibilidade voltara divisão em dois.

Desde 2020, nessa área, estão buscando formar árvores em "bosques" de 7 m² colocados lado a lado em nívele cercados dos 4 lados. Foi inspirado nessa iniciativa é que será implantado e ou conduzir 41 bosques silvopastoris em meio a pastagem nesse projeto Pecuária Floresta.

Objetivo

Formar 29 bosques florestais em meio a pastagem, servindo como abrigo e alimento para os bovinos

Desenho

Recomendação

O período de "verão de 2025/2026" foi dividido em início = início das chuvas, meses de outubro, novembro e dezembro; meio = meio das chuvas, meses de janeiro, fevereiro e março e fim das chuvas, meses de abril e maio.

29 bosques ( 203 m² - laterais de 2,7x2,7m)QuantidadeQuando
Arbustos 4 por berço
- Amora116Início
Árvores 1 por berço
- Ingá8Fim
- Pata de vaca8Fim
- Ipê Amarelo8Fim
- Pau Ferro8Fim
Palmeira 1 por berço
- Jerivá29Fim
Adubos verdes
- Mandioca29 ramasInício
- Feijão Guandu1250 gInício
- Milheto500 gFim
- Nabo forrageiro300 gFim
- Estilosante campo grande100 gInício
- Bokashi20 kgInício
- Calcário dolomítico20 kgInício

Notas e Referências

[^1] A referência do cálculo foi = 60 kg/ha feijão guandu, 5 kg/ha estilosante campo grande, 13 kg/ha nabo forrageiro, 50 kg/ha aveia preta, mombaça 15 kg/ha e milheto 25 kg/ha